quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Busca

Percorri longas estradas, grandes avenidas e belos bosques
Corri atrás dos religiosos dos cientistas, dos filósofos e até atrás daquele que tanto teme ao vencedor da cruz do calvário, no entanto as ruas pelas quais andei e os caminhos que atravessei nenhum deles me foram suficientes para chegar até Ele
Uma flor qualquer poderia me dizer onde estava aquele a quem eu tanto procurava, mas foi levada pelo vento
Nos bosques nem o céu azul e os casais felizes puderam me responder para onde Ele tinha partindo
Nos templos,os religiosos mentiam,humilhavam, matavam e depois tentavam me convencer de que conheciam Ele
Cientistas e filósofos ora acreditavam na existência Dele, ora não
Por fim cansei de procurar, deitei sobre minha alma e Ele estava lá, ao meu lado

São nessas gotas que se espalham no chão que busco um indício qualquer, lampejos de paixão
Devagar, pouco a pouco paira na alma o desejo de ser amada
Filtro as lágrimas buscando incessantemente um gesto
Tão terno no olhar e tão seco nas palavras, me sirva um conhaque para molhar a garganta
Alegria repugnante esta que vivo escondida em risos e intercalada em pranto
A dor me consome, bebo as lembranças da incerteza de seu amor
Será que sou tão tênue quanto o vento?
Amante que poderia se tornar rocha se não fosse frágil e superficial
Tanto a conhecer, tanto a explorar
E, no entanto servido de falsas palavras, gestos e olhares
Indecisão é o melhor termo para dar mais também o mais doloroso

Apego

Definitivamente o grande erro foi sermos acolhidos pelos pais ao nascer, é exatamente aí que começa nossa desenfreada busca por afeto, se o contrário acontecesse não esqueceríamos nossa origem independente e solitária
Como não há mais volta, aceito de mal grado ansiar pelo amor, já temos esse sentimento implantado em nós, o melhor a se fazer é permiti-lo fluir, minhas críticas ao apego são inúteis, pois nem eu mesma sou capaz de tratá-lo tão levianamente
Uma das coisas que mais detesto é escrever sobre o amor, talvez por não ter o altruísmo necessário para aceitar fantasmas do passado

Uma amizade sincera (Clarice Lispector)

Não é que fôssemos amigos de longa data. Conhecemo-nos apenas no último ano da escola. Desde esse momento estávamos juntos a qualquer hora. Há tanto tempo precisávamos de um amigo que nada havia que não confiássemos um ao outro. Chegamos a um ponto de amizade que não podíamos mais guardar um pensamento: um telefonava logo ao outro, marcando encontro imediato. Depois da conversa, sentíamo-nos tão contentes como se nos tivéssemos presenteado a nós mesmos. Esse estado de comunicação contínua chegou a tal exaltação que, no dia em que nada tínhamos a nos confiar, procurávamos com alguma aflição um assunto. Só que o assunto havia de ser grave, pois em qualquer um não caberia a veemência de uma sinceridade pela primeira vez experimentada.
Já nesse tempo apareceram os primeiros sinais de perturbação entre nós. Às vezes um telefonava, encontrávamo-nos, e nada tínhamos a nos dizer. Éramos muito jovens e não sabíamos ficar calados. De início, quando começou a faltar assunto, tentamos comentar as pessoas. Mas bem sabíamos que já estávamos adulterando o núcleo da amizade. Tentar falar sobre nossas mútuas namoradas também estava fora de cogitação, pois um homem não falava de seus amores. Experimentávamos ficar calados — mas tornávamo-nos inquietos logo depois de nos separarmos.
Minha solidão, na volta de tais encontros, era grande e árida. Cheguei a ler livros apenas para poder falar deles. Mas uma amizade sincera queria a sinceridade mais pura. À procura desta, eu começava a me sentir vazio. Nossos encontros eram cada vez mais decepcionantes. Minha sincera pobreza revelava-se aos poucos. Também ele, eu sabia, chegara ao impasse de si mesmo.
Foi quando, tendo minha família se mudado para São Paulo, e ele morando sozinho, pois sua família era do Piauí, foi quando o convidei a morar em nosso apartamento, que ficara sob a minha guarda. Que rebuliço de alma. Radiantes, arrumávamos nossos livros e discos, preparávamos um ambiente perfeito para a amizade. Depois de tudo pronto — eis-nos dentro de casa, de braços abanando, mudos, cheios apenas de amizade.
Queríamos tanto salvar o outro. Amizade é matéria de salvação.
Mas todos os problemas já tinham sido tocados, todas as possibilidades estudadas. Tínhamos apenas essa coisa que havíamos procurado sedentos até então e enfim encontrado: uma amizade sincera. Único modo, sabíamos, e com que amargor sabíamos, de sair da solidão que um espírito tem no corpo.
Mas como se nos revelava sintética a amizade. Como se quiséssemos espalhar em longo discurso um truísmo que uma palavra esgotaria. Nossa amizade era tão insolúvel como a soma de dois números: inútil querer desenvolver para mais de um momento a certeza de que dois e três são cinco.
Tentamos organizar algumas farras no apartamento, mas não só os vizinhos reclamaram como não adiantou.
Se ao menos pudéssemos prestar favores um ao outro. Mas nem havia oportunidade, nem acreditávamos em provas de uma amizade que delas não precisava. O mais que podíamos fazer era o que fazíamos: saber que éramos amigos. O que não bastava para encher os dias, sobretudo as longas férias.
Data dessas férias o começo da verdadeira aflição.
Ele, a quem eu nada podia dar senão minha sinceridade, ele passou a ser uma acusação de minha pobreza. Além do mais, a solidão de um ao lado do outro, ouvindo música ou lendo, era muito maior do que quando estávamos sozinhos. E, mais que maior, incômoda. Não havia paz. Indo depois cada um para seu quarto, com alívio nem nos olhávamos.
É verdade que houve uma pausa no curso das coisas, uma trégua que nos deu mais esperanças do que em realidade caberia. Foi quando meu amigo teve uma pequena questão com a Prefeitura. Não é que fosse grave, mas nós a tomamos para melhor usá-la. Porque então já tínhamos caído na facilidade de prestar favores. Andei entusiasmado pelos escritórios de conhecidos de minha família, arranjando pistolões para meu amigo. E quando começou a fase de selar papéis, corri por toda a cidade — posso dizer em consciência que não houve firma que se reconhecesse sem ser através de minha mão.
Nessa época encontrávamo-nos de noite em casa, exaustos e animados: contávamos as façanhas do dia, planejávamos os ataques seguintes. Não aprofundávamos muito o que estava sucedendo, bastava que tudo isso tivesse o cunho da amizade. Pensei compreender por que os noivos se presenteiam, por que o marido faz questão de dar conforto à esposa, e esta prepara-lhe afanada o alimento, por que a mãe exagera nos cuidados ao filho. Foi, aliás, nesse período que, com algum sacrifício, dei um pequeno broche de ouro àquela que é hoje minha mulher. Só muito depois eu ia compreender que estar também é dar.
Encerrada a questão com a Prefeitura — seja dito de passagem, com vitória nossa — continuamos um ao lado do outro, sem encontrar aquela palavra que cederia a alma. Cederia a alma? Mas afinal de contas quem queria ceder a alma? Ora essa.
Afinal o que queríamos? Nada. Estávamos fatigados, desiludidos.
A pretexto de férias com minha família, separamo-nos. Aliás ele também ia ao Piauí. Um aperto de mão comovido foi o nosso adeus no aeroporto. Sabíamos que não nos veríamos mais, senão por acaso. Mais que isso: que não queríamos nos rever. E sabíamos também que éramos amigos. Amigos sinceros. 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

.........

Gosto daqueles que vivem e não apenas existem
Gosto daqueles que admiram o nascer do sol e emudecem ao anoitecer
Gosto daqueles loucos que causam estranheza e não apenas chamam a atenção
Gosto daqueles que com as mãos tocam a terra e com o coração tocam o céu
Gosto daqueles que gritam de dor e choram de compaixão
Gosto daqueles meros pobres iletrados, não intelectuais, mas que ainda sim escrevem no ar, no luar, no mar
Gosto daqueles homens sábios e livres
Gosto daqueles boêmios que devaneiam na madrugada
Gosto daqueles que são poetas não somente pelos escritos, mas também pelos sentidos

Quase Anjo

Sonha com candura, com delicadeza, pobre mortal angélica, desliza as finas e brancas mãos sobre o manto do amado
Como gostaria de correr infinitamente pelo campo e depois, só depois repousar suavemente na relva esperando a chuva tocar seu frágil corpo
Deseja que os lábios tomem cores novamente, poderiam voltar a ser como a rosa ainda em botão.
Se ele não lhe roubasse as quimeras, hoje ela seria tão feliz, se permitiria encantar com devaneios, não mais cobriria o corpo com sangue, pois teria as lembranças de um amor nunca vivido para servir-lhe de roupa
Mas ele tomou tudo, ela não tem mais o belo corpo, nem a força da juventude, os sonhos estes parecem que nunca existiram, os cabelos antes tão cuidados, longas tranças que arrastava pelo labirinto, hoje não passam de pequenos tormentos, os olhos profundos, reveladores de alma, agora só causam horror, o coração ainda bate, embora esmagado pelas mãos daquele a quem tanto amou

Temor Obscuro

-O amor é uma utopia
-Não, o amor eterno é uma utopia
-E qual é a diferença?Você mesma diz que a linha que separa o finito do infinito é tênue
-Bem, a diferença está justamente aí nesta linha, amo-te até que convenha, o mesmo faz você. Lembra-se daquela vez em que estávamos no parque e um casal enamorado chegou e sentou-se sobre a grama. Tu observaste que a mocinha coquete estava preocupada em sujar o vestido, enquanto ele o rapaz não só rolava na grama como corria por toda ela com os pés encharcados de lama, e você meu caro riu-se daquilo e acrescentou que em nada combinava os dois. Mas de forma alguma poderemos afirmar que não se amaram, naquele momento em que cada qual conservava sua individualidade, justamente pela imagem de encantamento e pureza que ela passava e ele pela sua selvageria que ambos eram atraídos um pelo outro
-Está vendo, isto que acabas de me dizer prova que o amor não existe, pois só seria válido se com a mudança de uma das partes o sentimento permanecesse preso, intacto, mas ele morre se desfaz em pequenos fragmentos
-É impossível para nós, reles seres humanos amarmos assim sob diversas circunstâncias, eu mesma te deixaria se não mais me cortejasse de maneira singular. O amor para você não passa de idealismo, meu jovem poeta
-Nem sequer compartilha dos mesmos devaneios meus acaso não imaginastes que eu desejava em meu íntimo que nós dois pudéssemos provar ao mundo que amor não é utopia
-Vamos fazer um teste, se por um infortúnio do destino eu caia na mazela da doença incurável e devastadora, de modo que você como meu amante teria que oferecer todos os cuidados que um desafortunado necessita como dar-me o banho que antes eu mesma era capaz de fazer perfeitamente sozinha, e você toda vez que fosse cumprir essa bela tarefa ao ver minhas lágrimas e toda a angústia estampada em meu rosto, de modo que não mais suportasse me ver naquela situação, se na hora das refeições me levasse o garfo à boca, porque minhas mãos estariam sem movimento e, por conseguinte não mais seriam sensíveis ao teu toque, se lembrasse de nossas carícias, de como eu lhe beijava, lhe tocava, de como meus olhos ardiam em chamas e do quanto eu lhe causava prazer e notasse que eu não mais poderia amar-te, você com teus desejos carnais iria resistir a uma jovem bela e cheia de vida que pudesse satisfazer até suas intimas e ocultas vontades?
Se você não pudesse me apresentar aos amigos, pois cada um daqueles malditos sem dúvida esmagaria ainda mais minha dor, oferecendo uma migalha de pena e indiferença, se tivesse que renunciar sua carreira, tudo o que levou anos para ser construído e estabilizado, para poder ficar atento aos meus passos e viver somente para mim, ainda sim tu serias capaz de estar ao meu lado?
-Perdoe-me pelo o que direi agora, minha amada amiga, mas não, eu não seria capaz de permanecer ao seu lado, sou miserável demais para ter essa coragem, chego à conclusão de que juras de amor são inúteis, nós homens de carne e osso, sem alma, somos incapazes de honrar promessas
-Não se assombres eu nunca lhe pediria tamanho sacrifício, o amor é assim passageiro, feito para os bons momentos, para os maus Deus nos concedestes os amigos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Olívia

A névoa cobre o céu e Olívia continua pensativa, nas mãos carrega a taça de vinho, sombria ela grita:
-Me desculpe não posso continuar,você está me prendendo,roubando os resquícios de liberdade que eu ainda possuo, não permitirei que você leve meus pensamentos, delírios, prazeres, essência. Por gentileza enxugue essas lágrimas banais, lembre-se eu lhe avisei dos perigos que corria ao estar do meu lado, sabes bem que eu não sou boazinha, conheces minha ironia, meu sarcasmo. Não, eu não lhe iludi, sempre deixei bem claro o quanto minha vida era mais importante do que qualquer relacionamento utópico e egoísta
Agora seja homem e siga em frente, não irei tomar seu tempo, você deseja estabilidade eu não, você deseja um amor sério, eu nem sei o que é isso, você deseja o meu físico, eu quero que se apaixone por minha mente, será melhor sermos somente amigos, gosto de sua companhia, de seus gestos, da sua inteligência, mas você infelizmente não me move não se encaixa no meu padrão de beleza, não me mostra o que é o amor. Lamento, mas este é o nosso possível final infeliz.
-É claro que sabia dos riscos que corria, sabia inclusive que poderias me deixar, mas eu te idealizei, ou acaso não sabes o que um coração e uma mente delirante são capazes de projetar?Óbvio que desejo teu corpo, e era exatamente por isso que eu estava tomando sua liberdade, tudo o que tinhas, para que tu pudesses ficar eternamente presa em mim. Não reproves minhas lágrimas, não vê que é minha alma que se derrama aos teus pés tenha a delicadeza de pegá-la.
Assim Olívia segue o curso natural da vida, sozinha, mas com a tão sonhada liberdade.
A vontade patética de me encaixar prende o coração, desejo estar ao lado deles, mau os conheço, mas já são tão caros para mim
Não são qualquer transeunte ridículo, capitalista e seguidores da massa
Meus amigos, digo meus futuros amigos possuem beleza de espírito singular
Devaneadores, sonhadores, idealistas, poetas, estranhos, filósofos, relativistas, loucos e velhos
Estou em crise existencial e mal sei o que é isso, ás vezes olho para a caneta e de súbito vem o  delírio de que um dia eu a usarei para escrever coisas relevantes,alcançar a demência poética mas por vezes me sinto num mundo estranho,sofro duas vezes a primeira por pensar no fim de meus devaneios e a segunda por ver os meus devaneios partirem
Não sou capaz de me encontrar e é justamente por isso que não sirvo para estar ao lado deles.

Ainda restam mágoas

Velho decrépito me arranca as ilusões, bata olhar-te ao longe, e a repulsa e o medo, me assalta o âmago, tenho nojo de você que tantas vezes destruiu a minha vida
Mas você se aproveita da minha ingenuidade, sabes que sou uma cristã inútil e que sempre irei te perdoar
Você realmente não entende, ama como animal e, no entanto nega na frente de todos aqueles hipócritas alienados sua raça bestializada

domingo, 16 de outubro de 2011

Sonho Realizável

Me imagino  em um lugar distante,longe dos prédios,carros,pessoas,assim em meio a floresta,na mata,na natureza,despida de pudor,de temor,de moral.Quem sabe dentro de uma singela casa,de preferência feita a pau-a-pique ou então de rústica madeira,com uma decoração bem peculiar
Me imagino deitada tomando minha xícara de chá,com ou sem ele ao lado,e os livros todos espalhados no  chão.
Me imagino penetrada pelo doce aroma que vem lá de fora,o cheiro da terra,as gotas de chuva,o orvalho que escorre delicadamente pelas folhas do meu ipê amarelo,as abelhas que pousam nas minhas rosas vermelhas
Me imagino saudando o amanhecer,brilhando em meio aos seus tons rubros,lilases,azuis,deixando que os raios do Sol,aqueçam meu corpo
Me imagino com o perfume dele,impregnado em mim,e suas mãos enlaçadas nas minhas,ambos correndo atrás de pipas
Me imagino com rendas,laços e batom vermelho na boca
Me imagino olhando o luar,contando estrelas,me preparando para derramar vinho na madrugada
E depois me imagino partindo lentamente, aos poucos, inunda de complacência e felicidade invejável

Para Ele

Nicolas reúne o melhor  dos dois principais tempos da vida é criança porque ainda se permite encantar com flores, nuvens e barquinhos de papel. Mas também é tão velho não daqueles ranzinzas e rabugentos,ao contrário,é lívido,plácido,é assim de idade indefinida
Caminha desenhando borboletas com os dedos e segue perfeitamente a sinuosa e infinita linha das estrelas
Nos olhos restam lembranças daquela que tanto amou nos tempos joviais, é um tipo estranho, não tem pressa, já viveu, dentro do coração acabaram-se os lampejos de anseio por liberdade, não quer mais voar, agora procura recôndito numa gruta, esconderijo no seu rincão, já renasceu como a fênix, foi-se todo o brilho débil da juventude, encontra-se só com seus pensamentos
Compartilha emoções, paixões tão efêmeras.
Quer descanso, tempo, paz, esgotaram-se as forças, procura incessantemente um Deus, além do que os religiosos pregam,um Deus que seja amigo.
A quem diga que Nicolas é medíocre, pois sabe lutar e não quer pobre incompreendido, andarilho de madrugadas frias cobertas com nevoeiro.
Procura libertação dessa cadeia de melancolia, deseja mudança de hábitos, está exausto da vida, de tudo que antes realizava com prazer
Atravessa a margem do finito de maneira singular, com saudades do passado e com esperanças no futuro

sábado, 15 de outubro de 2011

Gargalhadas soltas no ar
Uma boneca ao lado
E um homem a sua frente
Vejam só
Ninfetas hipócritas
Brincam de inocência

Pintando a lua de negro

Chega cansei de sua claridão,de sua beleza iluminada
Mostre-me seu lado obscuro que tanto esconde
E que eu posso ver em uma de suas fases

Nos lábios resquicíos de pingos do orvalho
Ele delicadamente pegou minhas mãos
E caminhamos na chuva
Olhava-me com tamanha admiração
E sorriu quando eu deixei que as gotas
Penetrassem em meu corpo
Estava eu,invadida por uma alegria pueril
Paramos em meio as nuvens em tom de prata
E nos beijamos

Suas mãos tinham um aspecto sombrio,mas de vida intensamente vivida.
Nos olhos um amadurecimento  precoce,mal entendido
O corpo estava marcado com tristes recordações do passado cruel
Esfregava com veemência a carcaça,já que a alma era negra
E feito um cão de rua,farejava o espírito das donzelas até por fim tragá-las
Arrastando as até a porta do inferno

Castelo

De todas as cores que vejo;de todos os aromas que sinto;de todas as flores que desabrocham;de todos os amores que vivo;de todas as canções mais bonitas;nenhuma se compara a você.Vivo perdida em encantos envolvida em meus pensamentos com os olhos fechados para não ver,perdendo parte da vida com medo de me aventurar,buscando prazeres insatisfatórios,correndo neste infinito mar,não vendo a areia da praia,querendo não mudar de lugar,encontrando as notas mais erradas para poder transformá-las em certas para você me escutar.
No castelo com as portas fechadas,esperando um adeus nunca dito ,as abriria para você entrar,me pegar no mais profundo dormir e me carregar para bem longe junto ao seu lar,desvendar os meus segredos ocultos ,experimentar da minha sede de amar,espalhar o seu vinho maldito misturado ao seu amor nunca dito,deixar ao menos seu retrato para nas tardes ensolaradas eu contemplar,gostaria de aceitar as ilusões que o seu sorriso me trás se ao  menos eu pudesse pegar uma estrela para me acompanhar,voltaria de novo a olhar tuas esperanças a me completar.


 

Abandono


O menino abandonado chega,transforma meu mundo,vai embora,eu o esqueço,ele volta,precisa de mim,eu digo que outro menino abandonado chegou completou meu mundo,e nunca irá embora.

Encanto

Perguntam-me quem é o meu garoto?
Ah,o meu garoto anda por aí nas esquinas de madrugada colecionando estrelas para me dar.
O meu garoto aprecia a lua,deixando seus passos na areia e depois sem pressa se afoga no mar.
O meu garoto é livre,quando sonha em voar como as borboletas no céu de multicores.
O meu garoto é incomum,a ponto de causar estranheza.
O meu garoto garoto me rapta,para dentro de seu mundo,onde fico encantada por suas palavras,e apaixonada por seu silêncio.
O meu garoto é detestável,porque insiste em tomar todo meu pensamento.
Eu odeio o meu garoto,porque não posso sentir o toque de seus lábios,o doce amargo de seu beijo,o calor de seu abraço,porque não posso cravar minhas unhas em suas costas, arranhar seu corpo,deixando marcado e provando que é meu.
O meu garoto respira o que eu sinto,e eu sinto o que ele respira,assim eu me sinto nele e ele se sente em mim.
O vento sopra sobre os cabelos do meu garoto lhe causando arrepios,as lágrimas saltam de seus olhos,estas porém não são de dor,nem de tristezas,muito menos de desesperanças,são apenas de felicidade,por me possuir em seu íntimo,embora não me tenha junto a ele.
O meu garoto é sonhador,o meu garoto ainda não é meu,e talvez nunca seja

Ele estava com um livro  de capa vermelha na mão
O que lia? Nietzsche talvez….
Com seus cabelos claros e seus olhos negros
Enxergava tudo a sua volta
Menos a mim…
Deixou pousar os óculos sobre mesa
Mantendo sua sede por meus beijos reprimida
Assentou levemente seus lábios sobre minhas pálpebras 
Enquanto as lágrimas escorriam  de meus olhos
Devaneio em ardência……


Olhando o céu através desta janela maldita
As nuvens em constante movimento
E eu sentada neste banco
Até adentrares só tinha o tédio em minha companhia
Tinhas uma bela jaqueta e um lindo colete que combinavam
Perfeitamente com minha solidão
Desvende meus mistérios
Escrevendo ás 07:30 da manhã,depois de me fascinar com o imponente nascer do sol e sentindo o orvalho cobrir minha pele em um dia calmo de inverno, e lá fora meninos brincam riscando a parede e as ruas com giz,pássaros cantam,folhas caem.E este café deslizando sobre meus lábios,cobrindo minha língua e descendo goela abaixo,misturando-se com minhas lembranças de um amor  agonizante ferido que você mesmo interrompeu…..


Era uma tarde fria, mas dessas típicas de outono em que o sol aparece por entre as nuvens, quem sabe brigando com cada uma delas, para poder tomar seu posto de direito como astro rei do dia. Ou então como eu ele é introspectivo e queria aparecer tímido somente por obrigação.
As árvores mantinham seu balanço inconfundível, folhas secas espalhadas pelo chão, e sobre a relva minhas reminiscências descansavam, dentro do meu peito a vontade débil de tocar suas mãos - Ah bem amado, acaso decifra pensamentos?
Veio enfim com seu perfume, deslizando devagar suas digitais sobre as costas de minha mão, até finalmente repousar os dedos franzinos sobre os meus
O desenho das nuvens são como notas musicais embalando nosso amor…Deus!

palavras


Palavras querem saltar para fora de minha boca
 Estão gritando, pulando
 Estão querendo nascer
Ainda que não saibam o que dizer
Sem se preocupar com rimas e concordâncias verbais
Sejam livres palavras sonhem, fantasiem
Palavras querem sair de minha boca
Agora estão aqui expulsas de dentro de mim
Momentos eternizados não precisam ser escritos 
Não precisam ser contados


Não precisam ser ditos

Momentos eternizados ficam em minhas doces lembranças
Fecho as pálpebras sentindo o leve pousar de seus lábios


Madrugada

Dawn in dementia
Dawn on promise
Dawn on burning
Dawn on fire
Dawn in fear
Dawn of Dreams
Dawn in distance
Dawn of you


As poesias não meretrizes
Não existem para ser vendidas nem cobiçadas
Não existem para ser contempladas por sua beleza
Poesias têm vida própria
E o poeta é um pobre diabo
Escravizado por elas
Demente de esquinas, de calçadas, de noites escuras
Poesias boas 
São aquelas sentidas pelo coração 
E não aquelas pensadas pela mente
Não precisamos de inspiração
Somos a própria inspiração viva.

!

Abraço apertado
Retraído em desejo
Luxúria quase pura
Expressão máxima de amor
Entre os lençóis de cetim
Eu sentia o peso de seu corpo
Sobre o meu
Deslizando suavemente minhas mãos 
Sobre seu dorso franzino
Permaneça assim recolhido
Em meus braços

utopia



Há um tempo eu estava vendo umas mensagens em meu celular, lendo cartas e e-mails, ouvindo músicas que me fizeram lembrar pessoas encantadoras, que por um motivo cômico ou trágico, não estavam perto de mim. Esse perto ao qual me refiro não é apenas físico, mas também espiritual, afetivo, entusiasmático e sacrifical.
Depois disso comecei a pensar e logo a desejar que um dia eu pudesse estar ao redor dessas pessoas, todos reunidos em uma grande sala branca do chão ao teto remetendo á pureza e decoro sem nenhuma mobília e ao lado uma porta de vidro com largura e altura imensuráveis e nos estaríamos em círculo, trocando palavras, trivialidades, discutindo sobre coisas que teríamos em comum. Os mais corajosos recitariam versos e entoariam canções, e por, mas que discordássemos de opiniões manteríamos cada qual aquela flexibilidade e amabilidade, reservada somente aos corteses.
Em seguida nos dirigiríamos até a porta e chegaríamos ao um lindo jardim repleto de flores coloridas e uma grama verde aplanada como a de um campo de golf, o céu poderia estar azul, coberto por nuvens acinzentadas, passíveis ao toque, daríamos as mãos e deitaríamos sobre a grama.
A beleza do momento nos emudeceria, arriscaríamos algumas palavras, mas seriam inúteis e totalmente dispensáveis.
Contentaria-me se isso tudo passasse por breves cinco minutos que por sinal, seriam os mais felizes de minha vida, mas isso é pura utopia e devaneio meu, vontades que se entrelaçam a outros e por este motivo irrealizáveis.
Suponho que talvez ter asas e voar seja mais possível,de qualquer forma,meus caros a quem destino esse texto,se por ventura alguém entre vós quiserdes passar este momento de demência comigo,será muito satisfatório.
Chego à conclusão de que porque, desejo uma morte agonizante no leito, a resposta é que esta minha utopia, estaria mais perto de se transformar em sonho, por pena todos estariam ao meu redor me vendo partir lentamente.

conversando com a alma

Hoje quando acordei,depois dos primeiros raios de sol,vi resquícios de vinho espalhados pela casa toda.E eu,bem eu estava a mercê de minhas próprias ilusões,ela passou me tomou a vida inteira,me deixou a nada,esgotando as minhas forças,até não mais encontrar o que me arrancar.
Ainda érbio fiquei olhando a imagem refletida pelo espelho e disse a mim mesmo:
-Estou cansado
Com um ar de sarcasmo o reflexo de minha malfeita e astuta alma respondia:
-Cansado do que ?
-Da vida
-Então pretende morrer?se suicidar com uma navalha?
-Não,não acho que não é da vida
-É do que então?
-Bem,talvez seja da felicidade
-Eu já esperava por isso,pessoas como você não suportam ter alegrias para o resto de suas vidas,ficam constantemente se martirizando porque se consideram indignas de tamanha felicidade
-Como sempre,você tem razão,no entanto mesmo não sendo digno de tamanha felicidade,ainda a desejo em meu íntimo,como chamas de fogo,ela arde dentro de mim
-Oh,meu caro sabes lidar melhor com a melancolia,as alegrias podem sufocar-te a ponto de ser tonarem tão repugnantes quanto as tristezas
-Talvez,meu estado de tristeza seja tão cômodo,que a intensidade da felicidade em mim não fosse suportada pelo mundo vazio que me cerca.
(Eu e Jana)

 

Latido de cachorro guardado na estante,confunde a memória de meus livros espalhados com pingos de chuva cheirando a terra molhada.Caminho até o carro pisando nas malditas folhas secas rubras desenhando o céu com giz de cera lilás,quero tomar seu azul para apaziguar o gosto amargo do meu ciúme.

Triste dia de verão,me pôs em choque,não eu não tinha a chuva para afogar minha dor,o sol queimava minha alma,abrindo feridas trancadas expondo-me ao grande público e a platéia se lamentava sem parar e em seguida num rápido lance,num virar de dorso riam e gritavam feito palhaços de circo,pisando sobre meu fôlego

.........


Lhe dou a chave de minha caixa escura e manchada chamada coração,cabe a você aceitar ou não transformar o lodo em jardim de paraísos doces 

Tire essa mão nojenta do meu corpo seu canalha,use elas para arrancar a amargura que tu implantastes no meu peito,pare de destruir minhas utopias de criança,conto de fada sem princesa, príncipe sem encanto,beijo sem amor