quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Olívia

A névoa cobre o céu e Olívia continua pensativa, nas mãos carrega a taça de vinho, sombria ela grita:
-Me desculpe não posso continuar,você está me prendendo,roubando os resquícios de liberdade que eu ainda possuo, não permitirei que você leve meus pensamentos, delírios, prazeres, essência. Por gentileza enxugue essas lágrimas banais, lembre-se eu lhe avisei dos perigos que corria ao estar do meu lado, sabes bem que eu não sou boazinha, conheces minha ironia, meu sarcasmo. Não, eu não lhe iludi, sempre deixei bem claro o quanto minha vida era mais importante do que qualquer relacionamento utópico e egoísta
Agora seja homem e siga em frente, não irei tomar seu tempo, você deseja estabilidade eu não, você deseja um amor sério, eu nem sei o que é isso, você deseja o meu físico, eu quero que se apaixone por minha mente, será melhor sermos somente amigos, gosto de sua companhia, de seus gestos, da sua inteligência, mas você infelizmente não me move não se encaixa no meu padrão de beleza, não me mostra o que é o amor. Lamento, mas este é o nosso possível final infeliz.
-É claro que sabia dos riscos que corria, sabia inclusive que poderias me deixar, mas eu te idealizei, ou acaso não sabes o que um coração e uma mente delirante são capazes de projetar?Óbvio que desejo teu corpo, e era exatamente por isso que eu estava tomando sua liberdade, tudo o que tinhas, para que tu pudesses ficar eternamente presa em mim. Não reproves minhas lágrimas, não vê que é minha alma que se derrama aos teus pés tenha a delicadeza de pegá-la.
Assim Olívia segue o curso natural da vida, sozinha, mas com a tão sonhada liberdade.

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