terça-feira, 25 de outubro de 2011

Quase Anjo

Sonha com candura, com delicadeza, pobre mortal angélica, desliza as finas e brancas mãos sobre o manto do amado
Como gostaria de correr infinitamente pelo campo e depois, só depois repousar suavemente na relva esperando a chuva tocar seu frágil corpo
Deseja que os lábios tomem cores novamente, poderiam voltar a ser como a rosa ainda em botão.
Se ele não lhe roubasse as quimeras, hoje ela seria tão feliz, se permitiria encantar com devaneios, não mais cobriria o corpo com sangue, pois teria as lembranças de um amor nunca vivido para servir-lhe de roupa
Mas ele tomou tudo, ela não tem mais o belo corpo, nem a força da juventude, os sonhos estes parecem que nunca existiram, os cabelos antes tão cuidados, longas tranças que arrastava pelo labirinto, hoje não passam de pequenos tormentos, os olhos profundos, reveladores de alma, agora só causam horror, o coração ainda bate, embora esmagado pelas mãos daquele a quem tanto amou

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