sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Breve consideração sobre a realidade de Arthur

Para Arthur, é inútil pegar a caneta, daqui para frente terá que conviver com a frustração de não saber escrever e com a culpa que ainda carrega pela morte dos pais e o assassinato da sua pequena garota. Nada disso teria acontecido se ela não o enganasse com aquele verme. Arthur não teve escolha, era ela viva nos seus braços ou morta nos braços do parasita, como era de se esperar, ela preferiu morrer, por este motivo Arthur perdeu sua vocação para a escrita, ele vai de fato renunciar a este prazer que antes executava com maestria e rapidez, está descendo cada vez mais baixo, porque é um imbecil, poderia perfeitamente usar como inspiração esta enrascada na qual entrou, mas Arthur é sensível demais, moralista demais, burro demais, para detalhar sua experiência. Ele seria perfeito se fosse um pouquinho menos emotivo.
Arthur era poeta, depois contista, depois nada, é lamentável sua situação, chegou à conclusão de que talvez nunca tenha possuído essa tal vocação digamos literária, exceto nas tardes frias que passava ao lado de sua pequena garota, em umas das mãos a taça de vinho e na outra o papel.
Como eram encantadoras e geladas aquelas tardes onde o sol deitava atrás das montanhas, enquanto ele beijava os lábios daquela menina, agora morta.
Ele escrevia por pura necessidade de detalhar suas diversas emoções, mesmo que estas fossem vãs. Ora, ora, mas não é justamente isso que os grandes poetas fazem,descrevem suas emoções sem se preocupar com quem irá ler escrevem para degustar o prazer da vida e transformar momentos efêmeros em imortais.
Não é isso que Arthur pensava, ele só queria trazer doçura e divinal beleza para sua melancolia, convenhamos escrever não está no seu espírito. Ele é patético, não pode sequer almejar ser um poeta de calçada
E agora o que lhe resta?Arthur tem duas opções, a primeira é amarrar logo aquela corda que está a sua frente no pescoço acabar com a droga de vida, ou então viver condenado com o maldito arrependimento que ainda sente

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